Uma líder nata e apaixonada por gatos 

Foto: acervo pessoal

por Beatriz Castellucio 

Praticante de jiu-jitsu e futsal, fã de músicas antigas, livros de romance, filmes de comédia e apaixonada por gatos, a estudante de Jornalismo Laiz Menezes diz gostar cada vez mais do contato com a profissão. “Eu adoro essa diversidade de pautas. Todo dia a gente está descobrindo e investigando algo diferente. Ajudando as pessoas. Um dia desses eu escrevi sobre uma mulher na Gamboa porque tinham vendido a barraca dela. Eu fiz uma matéria e teve um alcance. Então, a gente ajuda muitas pessoas”, diz. A versatilidade e o autodidatismo são duas das características da jovem de 23 anos, que expressa desde pequena sua liderança nata, sua determinação e sua sensibilidade.

Liderança  

Laiz diz carregar a liderança em todos os ambientes que frequenta, desde a escola, pois fazia os outros escutarem a sua voz alta com timbre forte expressar as suas opiniões sempre firmes e cheias de personalidade. “Eu sempre fui a líder dos grupos. Eu sempre fui a que levava todo mundo nas costas. A minha vida inteira eu passava as pessoas de ano porque eu dava pesca, eu ajudava a estudar, sempre”, conta. 

Associada ao espírito de líder, a sua organização, autodidatismo, além do lema “Eu quero fazer e quero fazer bem feito”, Laiz cria suas oportunidades em um Brasil de pouca assistência e precárias políticas públicas de incentivo ao estudo. Hoje, a estudante cursa o sexto semestre de Jornalismo, é estagiária do Jornal Correio e presidente da Atlética Athena, onde exerce a direção. Lá fez amigos e conheceu sua namorada, Lara. Questionada sobre as características da perfilada, Lara declara: “Proativa, se você precisar, Laiz vai te ajudar”. 

Defensora dos animais 

Foto: acervo pessoal

Entre tantos gostos, esportes e amores, Laiz não esconde sua paixão por gatos. “Mãe de pet”, como ela se intitula, resgatou dois gatos na rua que atualmente são seus xodós: Aparecido, nome escolhido, pois ele “apareceu do nada” na frente da casa em um dia chuvoso e Nala, encontrada na orla de Piatã. A gateira conta que já participou de ONGs em defesa dos animais e até cogitou, na época do vestibular, estudar Medicina Veterinária, tamanho o seu amor pelos bichos. “Os dois gatos que eu tenho foram resgatados e eu não tinha nenhuma condição de pegá-los, mas eu também não ia deixá-los na rua, né? Eu sou mais da causa animal do quê de gente. Gente tem como se virar. Cachorro, gato, não. Eles precisam da gente pra viver”, defende. 

Seu jeito incisivo e corajoso faz a estudante não medir esforços para ajudar os animais. Até em briga envolvendo a polícia ela já participou em defesa do que ama. “Uma vez rolou uma briga no Dique do Tororó porque a gente viu uns cachorrinhos abandonados. Contatamos uma mulher que eu conheço pra ir lá resgatar. Quando chegamos no local foi uma treta porque o pessoal que estava lá queria pegar os cachorros para trocar por droga. E aí a gente chamou polícia e tudo, mas eles tinham escondido os cachorrinhos e a gente não conseguiu pegar”, conta.  

Motivação de vida  

Mudanças foram frequentes em sua vida. Caçula de dois irmãos por parte de mãe, ela foi criada até os quatro anos por uma família na zona rural de Alto Bonito, em Mundo Novo, interior da Bahia, pois a mãe não tinha condições financeiras de criá-la. Em 2003, apresentou uma alergia forte à terra e voltou a morar com sua mãe, em Itaberaba. Aos 15 anos foi morar com a tia em Feira de Santana. Aos 18, quando foi aprovada no curso de Jornalismo na UFBA, se mudou sozinha para Salvador. A partir daí, começava uma nova fase para a futura jornalista que enfrenta muitas dificuldades, mas também conquistas. 

A estudante não esconde os inúmeros desafios que passou na infância e, principalmente, no ingresso da universidade quando morou na Residência Universitária e não teve auxílio alimentação nos primeiros meses. A motivação para continuar sua jornada com dedicação, estudo e trabalho é o desejo de ter um futuro melhor, mais estável, com uma casa melhor, com mais conforto, inclusive para oferecer aos gatos uma ida regular ao veterinário. No entanto, dar uma vida melhor para a mãe está no topo da lista das motivações de Laiz. “No futuro eu quero ter condições de trazer ela para morar comigo ou ter condições de bancá-la. De poder dizer: você não vai fazer nada, senta aí, você é uma madame agora. Vou pagar tudo pra você”, conta entre lágrimas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.